Morre o jornalista Reynaldo Jardim

Morreu, por volta das 23h30 desta terça-feira, aos 84 anos, em Brasília, o jornalista e poeta Reynaldo Jardim. Ele estava internado no Hospital do Coração e faleceu devido a um aneurisma na artéria aorta abdominal.

O jornalista Reynaldo Jardim em sua casa no Condomínio Villages Alvorada, em agosto de 2009 (José Varella/CB/D.A Press - 3/8/2009)Nascido em São Paulo, o jornalista residia com a mulher, a jornalista Elaina Daher, e os três filhos em Brasília, no Condomínio Villages Alvorada (Lago Sul).O velório será às 14h no Teatro Nacional Cláudio Santoro e o enterro, às 18h, no cemitério Campo da Esperança.

O curta-metragem  Profana via sacra, de Alisson Sbrana, baseado em poesia homônima de Reynaldo Jardim,  foi premiado pela Câmara Legislativa no 43º Festival de Brasília, em 2010.

Na rede social Facebook, o diretor do curta, Alisson Sbrana, deu a notícia, às 5h da manhã, e se emocionou ao falar de Rey, como era conhecido o jornalista. “Desculpem a repetição do tema triste, mas o faço por uma obrigação imperial, ou ordens do Rey, para afastar a tal da tristeza pungente, que a meia noite me fez chorar um pouquinho e baixinho abraçado à Maria. Pois agora sorrio e me perco em o que dizer nessa hora. Por isso a repetição do tema: essa noite o Rey morreu. Tenho tantas histórias dele para festejar. Algumas nossas. Poucas minhas sobre ele. De Reynaldo Jardim, devo quase tudo de bom que me aconteceu nos últimos tempos.”

“Reynaldo Jardim é gênio criador, artista revolucionário e delirante. Liderou ou influenciou os lideres de todas as grandes revoluções artísticas do século 20, tanto na poesia, como, e principalmente, na imprensa brasileira. Repito: Reynaldo fez isso em Heleninha, em mim e em milhares de outros. Reynaldo faz isso com as pessoas. Ele marca, com uma assinatura funda, nossa pele, nossa forma de pelear, nossas palavras e futuros e histórias e cores e coragens e sorrisos fugazes ou eternos e reticências… Essa noite ele morreu. Viva o Rey!”, conclui o diretor.

Em conversa por telefone, Alisson Sbrana contou que o amigo estava bem na noite anterior: “ele estava consciente, brincalhão, pedindo festa no velório. Ele dizia ‘se alguma coisa der errado, vocês chamam a Aruc'”, lembra o diretor.Sobre este momento delicado, Alisson relata que não sabe como mensurar a perda do amigo. “Desde que o conheci, quando saiu de um câncer, ele dizia que saiu do hospital com atestado de óbito pré-datado, mas estava mais vivo que a gente”, conta. “Reynaldo era muito cheio de vida, ainda não consigo imaginar Brasília, a poesia, sem o Reynaldo. Ainda estou meio… É muito estranho, eu estive com ele ontem rapidamente, e parece que era com outra pessoa. Acho que o Reynaldo vai fazer falta todo dia”, emociona-se.

Alisson Sbrana acrescenta que o jornalista gostava de brincar com a morte. “Não está no filme, mas está na gravação. Ele falava: ‘eu não sei o que vou virar quando eu morrer se o mais Einstein dos espermatozóides não sabe que vai se tornar um ser humano. Quando eu tinha 16, 17, anos, eu achava que não ia morrer nunca e, agora, aos 82 (em 2009), tenho certeza que eu não vou morrer nunca'”.

Jornalismo e poesia
Atualmente, Reynaldo era colunista do Diário da Manhã. Nos anos 50, inventou o primeiro caderno de cultura ocidental do Brasil, o Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, e o seu embrião, o saudoso Caderno B. Como poeta, Reynaldo foi nome fundamental na poesia neoconcreta brasileira com os livros Paixão segundo Barrabas, Maria Bethânia Guerreira Guerrilha, Joana em flor, Viva o Dia e Cantares Prazeres.

Em 1964, ele foi obrigado a deixar o Jornal do Brasil devido à repressão militar e tornou-se diretor da revista Senhor e diretor de telejornalismo da recém-inaugurada TV Globo. No mesmo período, criou o revolucionário jornal-laboratório ‘O Sol’ e cruzou o país reformando os mais importantes jornais da época.

Seu último livro, publicado no ano passado – Sangradas Escrituras –  ficou em segundo lugar na categoria Poesia do 52º Prêmio Jabuti.  A obra traz uma compilação de 64 anos de trajetória reunida em 1.200 páginas de poemas.

fonte:Correio

 

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