BRASÍLIA DESPENCA, MAS GOVERNO RUIM NÃO CAI

Chefe do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) estreou nessa quinta-feira (9/2) no cargo cercado de compromissos e cobranças

BBBBO primeiro dia de Márcio Buzar à frente do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) no DF mostrou que a tarefa dele será das mais complicadas. O diretor do órgão enfrentou a reação de servidores que não concordam com a troca de comando, participou de uma série de reuniões, deu início às obras para desafogar o trânsito na região central de Brasília e ainda visitou a Ponte do Bragueto, no Lago Norte. “A gente assumiu esse abacaxi, e temos de descascá-lo direitinho”, afirmou.
Buzar quer celeridade nas intervenções no trecho do Eixão Sul que desabou sobre a Galeria dos Estados. O engenheiro pretende aproveitar o pouco movimento na cidade durante o feriado para adiantar os trabalhos dos desvios de acesso à região (leia na página 20). “O primeiro passo é resolver o problema do trânsito. Começamos a fazer as alças de acesso, estão limpando a área. O escoramento vai começar a ser colocado”, contou. As pilastras de metal que farão o escoramento do que sobrou da estrutura começam a ser instaladas hoje. Ele foi pessoalmente à oficina da Terracap acompanhar a confecção dos pilares. A colocação deve ser concluída em uma semana.
“A gente assumiu esse abacaxi, e temos de descascá-lo direitinho”, Márcio Buzar, diretor do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) no DF(foto: Renato Araújo/Agencia Brasília)
A agenda cheia fez com que Buzar fosse à Ponte do Bragueto para vistoriar a estrutura apenas no início da noite de ontem. Ele se reuniu com os técnicos no escritório do canteiro de obras do Trevo Norte. Segundo ele, a estrutura precisa receber atenção especial dos órgãos públicos. “A Ponte do Bragueto é a nossa segunda prioridade. Nós formamos uma equipe para inspecionar as principais obras e o estado de conservação desses viadutos. A partir daí, vamos definir um plano de recuperação, seja de revitalização, seja estrutural”, explicou.
O ex-diretor de Edificações da Novacap assumiu a chefia do DER no lugar de Henrique Luduvice, que ocupava a função desde o início da gestão do governador Rodrigo Rollemberg (PSB). Na manhã de ontem, cerca de 300 servidores da autarquia caminharam da sede do órgão até o local do acidente em protesto contra a exoneração (leia na página 21). “Eu estou focando, primeiro, nos problemas emergenciais. Hoje (ontem) à tarde, eu fui pela primeira vez ao DER. Tive uma conversa amistosa com funcionários. Eles me passaram algumas reivindicações, que eu vou tentar levar ao governador. Mas a prioridade é cuidar do patrimônio da cidade”, defendeu.
Placas de metal servirão para fazer o escoramento do concreto durante as obras de recuperação da área(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Placas de metal servirão para fazer o escoramento do concreto durante as obras de recuperação da área(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

Verba

Natural de São Luiz, capital do Maranhão, o engenheiro vive em Brasília há 22 anos e é mestre e doutor em Estruturas e construção civil pela Universidade de Brasília (UnB). Ele rebateu as críticas de que o governo foi omisso em relação à conservação do viaduto e disse não temer o uso do acidente em discursos políticos. “Essas pessoas que veem nessa tônica participaram de governo anteriores e não fizeram nada pela recuperação do viaduto. Nós estamos participando de um governo sério e honesto. O governador está com um espólio muito grande, que começa com a questão da água. A população triplicou, e a cidade ficou com a mesma quantidade de água”, disse.
No mesmo dia em que fez a troca no DER, o governo anunciou a liberação de R$ 50 milhões, destinados a reformas em viadutos e pontes, com prioridade para as obras na Galeria dos Estados. De acordo com Buzar, o valor é suficiente para recuperar a estrutura e reformar os outros locais. “Inicialmente, tínhamos o dinheiro, tanto no quadro de despesas da Novacap, como no do DER. Essa verba foi um aporte que o governo disponibilizou. O governador está muito sensível a essa questão”, ressaltou.
Chuvas
Buzar reafirmou que a falta de manutenção foi o principal motivo da queda do viaduto, mas destacou que outros fatores contribuíram para o desgaste da estrutura. “Um acidente não acontece por um motivo só. É um somatório de um monte de coisa. A gente não tem notícia de que, nesses 57 anos, tenha sido feito qualquer tipo de reparo. Mas há outros problemas também. A armadura precisa de proteção e quem dá essa proteção é a espessura do concreto. Nesse caso específico, a camada era de meio centímetro. Hoje em dia, seriam colocados entre 3 e 4 centímetros de concreto”, detalhou.
O novo diretor mostrou preocupação com as chuvas e adiantou que será necessário esperar o período de estiagem para intensificar os trabalhos. “A população de Brasília é muito sábia e saberá reconhecer o trabalho que está sendo feito”, opinou.

 

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