Madame Bovary, de Gustave Flaubert

MADAME BOVARY DE GUSTAVE FLAUBERT

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O escritor francês Gustave Flaubert publicou em 1857, depois
de cinco anos de trabalho, a obra-prima intitulada Madame
Bovary. Através da descrição das frustrações e aventuras de
uma jovem mulher casada com um decadente médico de província,
o autor aborda de forma distanciada e, por vezes, desdenhosa,
temas como o amor, a desavença conjugal, a negligência médica,
a sexualidade e o suicídio. A escrita rigorosa, o realismo e a
objectividade, mas também o sentido do ridículo, caracterizam
esta narrativa que marcou a história da literatura até aos
nossos dias.

Madame Bovary, livro publicado em 1857, é sem sombra de dúvida a obra mais relevante de Gustave Flaubert. No entanto, para mim, não é como dizem os críticos mais importantes de sua obra, que o livro se consagrou pelo fato de Flaubert ter inventado uma nova forma de narrador, nem tampouco pelas descrições de cenas, algo que já existia nas peças medievais. Contudo, este modelo de escrita revolucionário viria se tornar comum apenas nas novelas atuais.

 

 

Madame Bovary, como romance, representa, portanto, no cenário mundial, peça única, no seu estilo e importância, algo sem paralelo também para o Realismo Francês, desta forma Madame Bovary está para o romance como As Flores do Mal, de Bauldelaire está para poesia.

Fala-se muito sobre o livro como uma ode ao adultério, por isso seu autor teria sido quase condenado pela sociedade puritana, representa e defendida pelo governo francês da sua época. Todavia, a meu ver, muitos não perceberam e nem percebem os críticos atuais, que o livro traz muito mais do que uma exposição moralista e decadente da burguesia europeia.

A obra revela a insatisfação existencial do próprio autor, impressa na sua personagem principal de sua tragédia humana, e, sobretudo, fracos lampejos de iluminismo também ineficazes para animar o espírito humano nas trevas do ceticismo intelectual.

A obra é um retrato fiel da decadência humana, contudo, não poderia deixar de revelar também sua estupidez, nos atos inconsequentes de Emma, algo que se repete e que se repetirá eternamente nos atos humanos, enquanto formos homens e mulheres em conflito com a nossa própria realidade, enquanto sonharmos com o mito da felicidade, pois, segundo nos revela a obra, só existe na literatura romântica e na cabeça dos grandes escritores.

Neste meu parecer, que também não é perfeito, compreendo que sua musa-protagonista, Emma Bovary, vive como Dom Quixote, fora da realidade, isto se dá pelo mesmo feitiço da leitura de muitos romances, que a fizeram vazia, sem alma própria, seu espírito se transporta para as páginas dos romances, com um idealismo quixotesco de nos fazer rir da sua pretensa ingenuidade. Contudo, Emma nos faz chorar e lamentar a sua inocência, em seu apoteótico e previsível fim.

Em se tratando de literatura comparativa, logo nos saltam os olhos muitos detalhes da construção psicológica das intenções dos autores, ambos com o mesmo desejo, o de explorar a decadente e provinciana sociedade em que viveram. Me refiro, em termos comparativos, embora publicado uns 21 anos depois, ao Primo Basílio de Eça de Queirós, não na importância para o realismo mundial, pois como dito, Madame Bovary é obra singular neste respeito, por isso deu luz a tantos outros livros mundo a fora.

Se fosse me aprofundar na análise das personagens da obra de Flaubert, sobretudo nas almas masculinas desta magnifica ficção, faria um resumo das personalidades dos homens, aqui denegridas pelo autor. Em síntese, os três homens ligados à sua protagonista, Emma Bovary, diria que são homens fracos, neles se revela a inversão de valores que se encontra em Emma, mesmo sendo ela uma sonhadora e delinquente no atos e na conduta. Os amantes são fracos e covardes, quando não assumem o romance e a tratam com desprezo e indiferença, também por explorar sua aparente fragilidade e carência afetiva. Talvez seja pelo fato de que este romance ideal só exista na mente alucinada de Emma. Já o marido, por sua vez, além de corno convencido, pois suas atitudes deixam nas entre linhas que sabe da conduta da esposa, das suas escapadas, muitas vezes com seu consentimento, é de caráter fraco, homem sem ambição e profissional mediano, pessoa depressiva e de espírito anêmico.

Madame Bovary, como tantos outros clássicos deve ser leitura obrigatória, especialmente para quem estuda e produz literatura. É claro que para pessoas comuns, destas que vivem na correria do mundo real e nas facilidades do mundo virtual, este livro não servirá, nem como entretenimento nem como referência para um aprendizado humano. O fato do adultério ser o tema principal, e de ter causado polêmica sobre a obra e sobre as intenções do autor, o livro vai muito mais além de tudo isso que já foi dito, tanto por muitos que já se debruçaram sobre a obra, como por mim, neste mini parecer daquilo que para mim deve ser levado em conta.

Baixe o livro

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Por Evan do Carmo

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