O GÊNIO CRIATIVO NÃO GOSTA DE BARULHO.

noticia_348212_img1_proust
Marcel Proust
Hoje penso, que todos os valores outrora rígidos e absolutos se invertem. No que tange à poesia, por exemplo, não preciso de musa, nem de fantasias românticas, aliás nunca as precisei, sempre as criei de forma bem subjetiva e imaterial.
Todavia, agora, o que preciso mesmo é de silêncio, e não se trata de solidão perpétua, pois vez por outra é bom ter gente por perto, mas que seja gente, e não zumbis robotizados, pessoas que só aprenderam a repetir o que escutam.
As obras de real valor, até hoje criadas pelo espirito humano, na literatura e nas outras formas de arte, tenho vasto estudo sobre elas, e posso afirmar que todas, pelo menos as que realmente merecem ser citadas, foram feitas em profundo silêncio e isolamento social…
Escrevi um livro em dois meses, o Cadafalso, livro que só veio a ser superado por Catarse, escrito em 2017, 9 anos depois. Foi durante um período enigmático em que fiquei isolado do mundo real, em 2009, no Rio de Janeiro, precisamente entre Angra e Paraty, durante este tempo, estive desconectado da realidade, pois vivi uma paixão por um lugar que mais parecia um sonho impossível, jamais poderia viver ali por mais de dois meses, devido à minha situação financeira. Contudo, esta fantasia, a ideia de que eu fazia parte daquele lugar me deu material suficiente para a produção de um livro incomparável, em se tratando de poesia até então produzida por mim.
Breve relato sobre o modo criativo de Georg Friedrich Händel
“O Messias, extenso oratório em três atos, foi composto em apenas 24 dias. Não era sistemático, compunha obras em partes independentes enquanto que trabalhava em várias ao mesmo tempo. Quando compunha isolava-se do mundo e ninguém tinha permissão para interrompê-lo. Enquanto o fazia, gritava consigo mesmo, e se emocionava quando trabalhava sobre um texto trágico ou piedoso. Seus serviçais muitas vezes o viram chorando e soluçando sobre as folhas de música. Quando esteve escrevendo o coro Halleluja, do Messiah, seu camareiro foi servir-lhe chocolate quente e o encontrou em prantos, para quem o músico disse: “Não sei se eu estava em meu corpo ou fora dele quando escrevi isso, só Deus sabe!”
Cervantes, Dostoiévski e Oscar Wilde foram presos, estes produziram grandes obras na prisão. Outros como Marcel Proust e Schopenhauer escolheram a solidão e o isolamento para poder escrever algo substancial para humanidade…
Basta estas referências, embora existam milhares de casos, contudo nem todos com a mesma importância. Assim acredito, que no meio da multidão não se pode produzir nada de valor. Por isso o poeta, quando bem consegue se concentrar, escreve um texto curto ou um poema medíocre, como tenho feito, em meio a tanto barulho, entre tanta poluição mental e sonora…
Evan do Carmo
Anúncios

Uma consideração sobre “O GÊNIO CRIATIVO NÃO GOSTA DE BARULHO.”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s