A IMAGINAÇÃO CONTRA A REALIDADE

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Crie você mesmo seu próprio mundo em sete dias

Sobre o ato de escrever, ficção e descrever fatos reais. Quem de fato é o escritor, aquele que relata o que viu ou aquele que inventa o que não sabe nem viu? Sim, o jornalista, cronista, poeta, roteirista, são escritores,  porque de fato fazem uso da ferramenta de criar textos, mas neste meu contexto é preciso perceber o que se pretende quando se escreve, fotografar belas paisagens ou criar novos horizontes, pôr novas formas e outras cores no arco-íris?

Alguns escrevem a partir do que sabem, sobre o que viveram. Outros, com base no que sabem e no que viveram, pois é quase impossível ser totalmente isento de opiniões pessoais, quando se escreve. Mas há outros de quem falo, estes escrevem sobre o que não sabe nem viveram. Contudo, sua força imaginativa é tão grande que criam outros mundos, dão luz a outras vidas, inventam personagens e, com suas ideias criam eventos grandiosos, daí nascem outros mundos, universos paralelos, sob a batuta da ficção se cria a verdadeira obra de arte.

Não me refiro às obras adaptadas, ou ainda àquelas que nos servem de inspiração e arquétipo para compor algo novo, como por exemplo, Hamlet. Shakespeare fez isto com suas grandes peças, muitas foram criadas a partir de lendas, mas o velho bruxo ou bruxa, pois não sabemos de fato seu sexo ou quantos eram, Shakespeare deu outro rumo aos seus enredos, atingindo a divindade e a maestria de um criador de universos morais, mas nós não ignoramos sua arte imaginativa, pois é fato que ele superou, em magnitude estelar, tudo o que já havia sido escrito, especialmente com seu Hamlet, sua grande obra de arte.

“A tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca), geralmente abreviada apenas como Hamlet, é uma tragédia de William Shakespeare, escrita entre 1599 e 1601.[2][3] A peça, situada na Dinamarca, reconta a história de como o Príncipe Hamlet tenta vingar a morte de seu pai, Hamlet, o rei, executado por Cláudio, seu irmão que o envenenou e em seguida tomou o trono casando-se com a rainha. A peça traça um mapa do curso de vida na loucura real e na loucura fingida — do sofrimento opressivo à raiva fervorosa — e explora temas como a traição, vingança, incesto, corrupção e moralidade.”

Podemos dizer que Cervantes, escreveu algo original? Sim! Apesar de que lendas, cavaleiros e donzelas, príncipes e palácios faziam parte da sua vida, real e imaginativa, pela leitura de tantos outros livros do gênero, mas foi com este material mental, consciente e inconsciente que ele deu vida nova, única e imortal ao seu incomparável cavaleiro da triste figura. Contudo, Cervantes criou nada mais nada menos, que um Dom Quixote, com seus medos, fantasias e, sobretudo com sua loucura adorável, Cervantes fez o que ninguém jamais havia concebido, um herói bom, honesto e livre de todo tipo de hipocrisia humana e preconceito, um herói que faz tudo o que pensa ser possível para realizar sua fantasia cósmica de criar um mundo moralmente melhor que o nosso, um mundo justo e bom.

José Saramago, voltando ao verdadeiro gênio criativo. Saramago criou vários nundos, alguns a partir de histórias reais, mas o mais significativo, seu Ensaio sobre a Cegueira, este tem ressonância universal, este supera todos os outros livros por ele escrito, pelo fato de se tratar de uma leitura crítica e inédita da sociedade humana atual, contudo, agregou à obra suas pinceladas geniais de imaginação, humor, sarcasmo e poesia.

O que dizer sobre os Cem Anos de Solidão do escritor colombiano Gabriel García Márquez, Prêmio Nobel da Literatura em 1982, e é atualmente considerada uma das obras mais importantes da literatura latino-americana. O livro é hoje considerado o segundo livro mais importante da literatura hispânica, ficando atrás apenas de Dom Quixote de la Mancha. Qual Foi a fonte de inspiração do  García? Bom, ele mesmo conta que foram as lendas e os contos fantásticos que ele ouvia de sua avó. Mas, para o bom conhecedor da obra,  sabemos que não é apenas isso, digamos que estas estórias de mulher velha, contadas pela vó do escritor, tenha lá alguma responsabilidade pelo que ele fez, porém o que se apresenta neste livro tem muito mais a ver com a vivência do então jornalista, suas experiencias, lógico que reinventadas, com um grau quixotesco de fantasia e loucura, até de absurdos, que não raro superam as loucuras e absurdos de Cervantes. A criação da cidade de Macondo, os enigmas a serem descifrados no final da leitura, é algo definitivamente singular, sem contar com a pesada tarefa imposta ao leitor, pelo fato de que, com apenas uma leitura, sem a chave que o próprio autor nos oferece com a sua própria história de vida, e tragédia pessoal, fica impossível elucidar os enigmas e entender, mesmo que por parte, a grandeza de sua obra.

Portanto, penso desta forma, é evidente que não sou absoluto em minha tese, quando afirmo categoricamente, que a imaginação supera a realidade, quando digo que escrever é um ato simples, que não requer inteligência especial, logo todo ser humano o pode fazer. Todavia, se pretende ser um grande escritor, crie você mesmo seu próprio mundo em sete dias, só assim terá o respeito de muitos, e a adoração de todos os outros mortais.

Evan do Carmo 14/04/2018

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