4 poemas que fiz para Vinicius de Moraes

AMOR INVENTADO

É preciso inventar uma paixão
para fazer um poema de saudade
que supere as odes ao amor
de Neruda, Vinicius ou Rimbaud…

Sem contudo, me valer da pobre rima
pois prefiro, em tese, a liberdade
sobre um vício que tem todo poeta
sucumbir à inflável vaidade.

Inventar uma paixão é coisa fácil e vulgar
ora em vida, quase tudo é inventado
mas o amor, aquele que nos faz chorar

Este sim, não se pode prescindir da poesia
só se vive uma vez, em vida ou morte
e com sorte, vamos atrás desta vã filosofia

Evan do Carmo

 

OLHOS DE RESSACA

Devia se chamar Luíza
assim, com L maiúsculo
ludicamente embriagada
como a musa de Tom Jobim!

A musa do POETA não se chama Luíza
talvez seja Rute da Penha ou Rita da Rocinha
o POETA tem lá seus modos incomuns de IMAGINAR
da pedra bruta faz sua gema rosa, do carvão vulgar
seu diamante anil, de mil cintilantes cores.

Foi assim que surgiu a musa marginal
do POETA urbano, do POETA bêbado,
do POETA insano.

A musa de olhos negros, grandes,
Olhos de Ressaca, surrealistas
Machadianos.

Devia se chamar Luíza
assim, com L maiúsculo
ludicamente embriagada
como a musa de Tom Jobim!

Minha musa não tem nome nem rosto
pois se nome tivesse, como saberia?

O POETA é quem sonha, quem delira
quem canta ao desconhecido enigma
que incredulamente e inconstante
lhe obriga a escrever o que não poderia.

Evan do Carmo

SONETO DO AMOR IMPROVÁVEL

Quando menos se esperava fez-se o riso
do silêncio e da inércia aplauso e canto
e da boca outrora muda em desencanto
um aceno e um convite ao paraíso.

Quem vivia há muito tempo em desespero
tendo os olhos marejados de suplício
castigado com a dor do amor efêmero
incontente, amargurado, entregue ao vício.

Improvável, não mais que improvável
Fez-se alegre e doce, amigo e confidente
de solitário e esquecido, agora amável.

A esperança renasceu sem medo
da insegurança se revelou o segredo
que do amor se espera o improvável.

 

Evan do Carmo

ODE AO AMOR

Queria não ter lido
nem estudado Vinicius de Moraes
para escrever algo original
sobre o amor e sobre a falta dele.
Mas algo assim só seria possível
se Vinicius não tivesse lido Neruda
com tanto espanto e reverência
ou se Neruda não tivesse lido Rimbaud.

Queria cantar o amor
em sua primorosa essência
como Ricardo Reis à Lídia
como Dante à Beatriz.
Inexoravelmente nasci atrasado
atrás de todos estes
mas o amor ainda me inspira
loucura e lucidez…
Para compor poemas
tão simples como este.

É o amor que sempre nos guia
ao fundo do copo e ao cerne da vida
ao topo do mundo e ao fim da tragédia
é amor que nos conduz ao abismo da perda
e ao encanto da luz da conquista
mesmo que não seja original
é o amor, O SOPRO DE ARIADNE

que dá alma ao artista.

 

Evan do Carmo

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