GERAÇÃO SEM HONRA

Sou do tempo em que palavra valia mais que papel assinado, mas isso hoje em dia é coisa difícil de provar. Esta geração, mesmo com todos os documentos assinados e carimbados em cartório não acreditaria no que digo.
Há uma presunção, e se é presunção é errada, a de que todos os homens têm o mesmo caráter. Trabalho com todo tipo de pessoas, mas para um cliente que honra sua parte, é normal nunca ficar satisfeito com algum imprevisto, ou com algum acidente de percurso… Logo vem à mente, por causa da conduta dos homens atuais, o pensamento de que foi logrado pelo contratado para realizar um serviço.
Há um erro comum, e até certo ponto aceitável, o de que não existe mais pessoa honrada nesse mundo. Eu trabalho com “fornecedores”, apenas um, no meu caso, uma gráfica, que por questões de logística e custo fica em São Paulo, pois todo resto do trabalho faço eu mesmo.
Já houve caso de livros que eram para ser enviados para o Rio Grande do Norte, 300 livros do poeta Jânio Varela Sobral, porém foram parar em Goiás, na casa de outro cliente. Levaram 40 dias para retornar para São Paulo e serem reenviados, agora para o destino certo, mas chegou, o poeta, contudo, generoso e educado entendeu, razão é que esse poeta faz parte da mesma geração da que falo no início do texto.
Estou revivendo a mesma saga, 300 livros que eram para serem enviados de uma vez, só chegaram 104, soube hoje que o resto foi estornado. Mais uma vez estou tratando com pessoa de boa formação cultural, educada e generosa, mas minha paciência está muita curta com tanta incompetência, e dessa vez não foi da gráfica, foram os correios que me cobraram 600 reais de SEDEX e não cumpriram sua parte no acordo.
Em 3 anos de vida, nossa Editora tem honrado todos os seus compromissos, corrigidos erros quando esses ocorrem, pedidos de desculpas foram aceitos e relacionamentos mantidos. Não ganhamos dinheiro com serviço de editar livros, apenas temos conseguido sobreviver, pois é fato que este ramo de livros no Brasil está falido. Este país não tem cultura para valorizar o livro como produto de necessidade diária, como o pão e a cerveja.
Lamentamos tudo isso, são fatos que não serão mudados, com relação à essa geração sem honra, nem com relação ao gosto e respeito por quem faz livro no Brasil….
Evan do Carmo

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