Um bom dia para recomeçar é hoje

saramago
José Saramago

Todo dia é dia de recomeçar, assim nos ensina a natureza, que um dia vai e outro vem, com uma nova possibilidade. Mas até que ponto entendemos e usufruímos dessa condição mutável que faz parte de nós, de nossa essência humana?

Tenho um conhecido que diz, “não vale a pena se arriscar, sobretudo quando se atinge a idade da razão.” Que razão? Pergunto eu. Eu sei de muitos casos em que pessoas comuns fizeram verdadeira revolução no seu modo de viver, mudaram não só sua vida mas contribuíram para melhorar a vida de muitas outras.

Vou citar apenas um caso especial, especialmente porque faz parte da minha seara, a literatura. Um certo português, jornalista medíocre e escritor desconhecido, que até os 56 anos tentou em vão sobreviver de literatura em seu país. José Saramago, aquele que é o único escritor de língua portuguesa que conseguiu um feito quase impossível, mesmo para os grandes escritores, que é ganhar um Nobel de Literatura.

Saramago, aos 56 anos resolveu sair de Portugal, segundo ele por motivos políticos, a priori, mas no fundo foi por decepção profissional, saiu de Portugal e foi para a Espanha, lá disse ele: “Doravante viverei apenas do que conseguir ganhar com a literatura.” Demoro um pouco, levando em conta que já não era mais um garoto para sonhar com algo tão grandioso. Contudo, aos 76 anos, isso mesmo, 20 anos depois da sua decisão de mudar radicalmente sua vida, foi então “galardoado com o Nobel de Literatura de 1998. Também ganhou, em 1995, o Prémio Camões,[2] o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Saramago foi considerado o responsável pelo efetivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa. A 24 de Agosto de 1985 foi agraciado com o grau de Comendador da Antiga, Nobilíssima e Esclarecida Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, do Mérito Científico, Literário e Artístico e a 3 de Dezembro de 1998 foi elevado a Grande-Colar da mesma Ordem, uma honra geralmente reservada apenas a Chefes de Estado.

O seu livro Ensaio sobre a Cegueira foi adaptado para o cinema e lançado em 2008, produzido no Japão, Brasil, Uruguai e Canadá, dirigido por Fernando Meirelles (realizador de O Fiel Jardineiro e Cidade de Deus). Em 2010 o realizador português António Ferreira adapta um conto retirado do livro Objecto Quase, conto esse que viria dar nome ao filme Embargo, uma produção portuguesa em co-produção com o Brasil e Espanha. Também foi adaptado para o cinema o livro O Homem Duplicado, no filme de 2014 dirigido por Denis Villeneuve e estrelado por Jake Gyllenhaal.”

No entanto, para se levar em conta tudo isso que falo, dessa incrível capacidade de se reinventar, se faz necessário antes porém responder à algumas perguntas: Onde está meu coração? Em quem tenho gastado as minhas energias e recursos? Estou disposto a pagar o preço que vem junto com a mudança de ponto de vista sobre a vida que pretendo levar?

Todavia, o homem condicionado, aquele que já se encontra doente em fase terminal, que não consegue mais tomar as rédeas do seu destino, esse não fará nada, especialmente depois de calcular o preço a pagar por tal transformação de pensamento e atitude.

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