Entrevista com Tê Maria para a revista Leitura  e Crítica

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LANÇAMENTO DO LIVRO

1 Como você se define como poeta e escritora?

Esta é uma definição difícil de se fazer com clareza ou precisão até porque ser poeta e escritora é para mim um processo em constante construção.

 Mas posso dizer que tenho a poesia na alma desde a mais tenra idade, costumo dizer que nasci gêmea da poesia, da literatura, da palavra.  Desde a infância a literatura se fez presente em minha vida e foi criando memórias que só tardiamente vim a entender.  Tudo que eu li se transformou num grande baú cheio de histórias e sentimentos que foram se juntando às minhas vivências, memórias que seriam depois o sustentáculo, o fio condutor para a poesia que hoje tento escrever.

Olavo Bilac compara este oficio “Ser poeta” como a de um escultor, um ourives ou um artesão. E é assim que me vejo de certa forma, sem ser pretensiosa, sinto-me uma artesã da palavra, que procura através linguagem, pela palavra escrita, exteriorizar sentimentos, dar vasão a tantas emoções reais ou inventadas.  Continuamente, buscando dar significação ao real e ao imaginário de forma poética.

Ao mesmo tempo, escrever é para mim um exercício duplo, de inspiração e transpiração.  É pura Inspiração quando a poesia chega espontaneamente, versos que vem a galope aos montes, aos saltos, aos pulos, aos berros, frutos de tudo que a vida me inspira, da beleza, da natureza, do amor, da dor, do caos da nossa desordem interna, dos nossos abismos, de todas as paixões positivas e negativas que nos compõe. É desta subjetividade, do mais recôndito da alma que brota minha poesia

Mas também é transpiração à medida em que a construção do poema requer um certo rigor e cuidados com a língua, com a estética. Mesmo dentro da chamada “liberdade poética” dos  “versos livres”  mesmo  que se dispense a métrica, a rima, a formas mais rigorosas, a poesia  esteticamente  precisa ter ritmo,  imagem,  movimento. E o poema enquanto construção linguística precisa ser trabalhado, muitas vezes lapidado, esculpido. Neste ofício sou apenas e tão somente uma aprendiz.

2    Por que escreve Poesia, foi influenciada por qual autor?

Há um poema meu que começa assim:

Faço versos pra livrar-me dos deuses e demônios que me habitam… Numa incontrolável angústia de infinitas vidas e mortes…

Acho que escrever poesia e não outro gênero não foi uma escolha minha, livre, espontânea. Sinto como se eu fosse tomada por uma extrema necessidade de escrever poesia e me agarrei a isto, assim como quem se agarra a vida. Assim fiz da poesia um pouco da minha existência da minha catarse.

Nasci do canto sagrado da natureza.

Do canto onde a poesia engendra a alma dos poeta…

A poesia é minha comunhão com o universo

Minha remissão dos pecados

Minha ressureição

Minha consagração

E minha vida eterna

Amém!

Quando me fazem esta pergunta, porque escrevo poesia? Sinto-me como aquele jovem que ao consultar Rainer Maria Rilk para saber se era mesmo poeta, recebe dele a seguinte resposta em Carta a um jovem poeta

“Só existe um caminho, penetre em si mesmo e procure a necessidade que o faz escrever, observe se essa necessidade tem raízes no coração. Confesse à sua alma (“morreria se não fosse permitido escrever?) Se a resposta for afirmativa então construa a sua vida a sua existência em harmonia com essa necessidade… Volte-se para a natureza, seus sonhos, suas tristezas, suas lembranças e se o quotidiano lhe parecer pobre, não acuse-o, acuse a si próprio de não ser muito poeta para extrair as suas riquezas…para o criador nada é pobre…”

Insisto com os versos como quem insiste com a vida…

Escrevo poesia porque ainda não me sinto pronta   pra escrever um romance por exemplo, embora alguns dizem que a poesia é o traje de gala da literatura, sinto-me mais em casa com ela.

Quanto as influências, tive e tenho inúmeras influencias que vão desde a literatura clássica antiga, a grandes escritores de todas as fases da História da literatura e da poesia, em geral, no Brasil e no mundo. Sempre fui uma boa leitora. Aliás muito melhor leitora do que escritora. Escrever é para mim sempre um aprendizado uma tentativa de trabalhar ainda que tardiamente essa bagagem de anos de leitura.

Na infância e adolescência lia de tudo um pouco, Monteiro Lobato,  gibis, revistas infanto- juvenis, claro que sem muito critério de seleção. Porém, foi o que criou em mim o hábito para a leitura e me fez trilhar novos caminhos e alçar infinitos voos para a boa poesia e o universo literário.

É muito difícil citar nomes dentro de um extenso rol de autores que já li. Carrego um verdadeiro rosário de autores importantes para a minha vida pessoal e para minha formação acadêmica. Além do meu interesse   pela leitura, pela escrita, pela literatura e pelas artes em geral, minha escolha pela área de humanas, minha formação em História e minha experiência na docência universitária levaram-me a ler e estudar os grandes clássicos da filosofia da história e da literatura.

Nomes que vão desde os primórdios da poesia, da filosofia, desde os   dramaturgos gregos, Homero, Virgílio, Ésquilo, Euripedes, Sófocles a    Aristóteles, Platão, Sócrates, Hesíodo Tucídites encabeçam esse rol que  vai se desenrolando numa  gama extensa e abrangente  de grandes clássicos.  Passando pelo chamado Cânone Ocidental com Shakespeare, Dante, Milton, Cervantes,  Tostóy,  Proust, kafKa, Virginia Wolf, Dostoievisk,  Ghethe e tantos outros.

São leituras que sempre vão e voltam  que  Leio  e  releio  em momentos diferentes da minha vida. Outros   grandes nomes como Nietezche,   Marx,  Weber Sartre  e etc…etc….

Mas descobri e desenvolvi o gosto maior pela poesia lendo  grandes poetas como Camões,  Walt Whitmam ,T.S Eliiot, Willian Blake, Verlaine, Boudelaire, Rambaud,   Neruda, Jorge Luiz Borges …

Mas talvez  quem mais tenha me influenciado ou causado um enorme desassossego em meu espírito, tenha sido indiscutivelmente meu grande mestre Fernando Pessoa, meu poeta de cabeceira.

Tenho grande predileção pela literatura brasileira, grandes nomes marcaram a minha vida e a minha formação mas sobre eles falarei logo adiante.

 Ressalto alguns grandes mestres que tanto ajudaram-me a compreender melhor o mundo através da “história das mentalidades” um campo da história que busca novos objetos como a cultura, a linguagem a memória o cotidiano, as crenças, os mitos e as representações sociais e que caminha pari passu com a antropologia cultural, a psicanálise, a literatura e a filosofia.  Grandes teóricos como Freud, Jung, historiadores brilhantes como Ferdnand Braudel, Phelippe Ariés, Georges Duby , o grande mestre da História do Medo no Ocidente, Jean  Delumeau que faleceu esta semana.

E claro, não poderia deixar de referenciar aqui o grande livro que sempre me acompanhou, A Biblia.

Sempre tive a bíblia como uma grande fonte de pesquisa e de estudos, e também como livro Sagrado para a busca da espiritualidade, da religiosidade e da fé.

Não sou uma exegeta como gostaria mas gosto muito de analisar as narrativas bíblicas belíssimas do Pentateuco por exemplo, outros livros de extrema sabedoria como Eclesiástico, Provérbios, Cântico dos Cânticos de Salomão.

“Põe-me como selo em teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte…”  Salomão 8.6

Eclesiástico é um livro altamente filosófico marcado pela cultura helenística e lindamente poético.  O livro de Jó com seus abismos suas dores suas enormes rachaduras na alma, uma saga da pisquê humana e uma verdadeira celebração da fé.

 “Sobrevieram-me pavores…como vento perseguem-me a honra e como nuvem passou a minha felicidade…  Agora dentro de mim se me drrama a alma…” Jó 30.15

  Narrativas do Novo Testamento, o Apocalípse (do gênero apocalíptico) com toda a riqueza de simbolismo de imagens de metáforas. Enfim são fontes inesgotáveis que por si só dariam uma entrevista exclusiva aqui.

Obviamente que citei apenas algumas referências para marcar o território onde piso ou para mostrar a fonte onde busquei beber, pois num universo de tempo e escolhas com quase cinquenta anos de leitura, não é possível, infelizmente, nem ter lido tudo que gostaria e tampouco citar tudo que li ao longo de quase meio século.

3 Como você entende a política brasileira sobre a publicação de livros? 

Um país se faz com homens e livros,  já dizia Monteiro Lobato.

É lamentável constatar que grande parte dos nossos políticos não o sabem, talvez muitos se quer leram Lobato.

 Nós temos no meio acadêmico inúmeros estudos acerca das políticas de Editoração no Brasil que remontam desde o período colonial, passando pelo século XIX com a grande avalanche da indústria editorial até nossos dias. Estudos que apontam os avanços e retrocessos em muitos momentos da história política de nosso país.

Infelizmente, mais do que políticas públicas para o livro, o que temos são   políticas de governo.  Com isso, vejo que ao longo dos governos, por mais que tenham tentado fomentar e implementar políticas para a questão do livro (Edição, distribuição, divulgação etc.) e na outra ponta, mesmo buscando aumentar e fomentar as bibliotecas, criando programas de incentivo à leitura, são ações ineficientes, na maioria das vezes interrompidas ou alteradas a cada mudança de governo.

Essa questão do Livro está intimamente ligada à questão da Educação no Brasil. O acesso não somente aos livros mas a todos os bens culturais é constitucional. Porém, não basta ter, por um lado, garantias legais, não basta ter oferta e distribuição  gratuita de livros, didáticos, pedagógicos ou literários. Não basta aumentar o número de bibliotecas (embora isso seja sempre muito bom) se por outro lado temos ainda e vergonhosamente um número enorme de analfabetismo em nosso país. Problema este, que nosso sistema, nosso modelo de educação não consegue reverte principalmente porque não temos políticas públicas sérias para a educação e cultura. A educação é tratada tão somente de acordo com os interesses políticos de grupos partidários ou de governos, com isto não temos continuidade nos programas de formação para a leitura e valorização do livro de uma forma geral e na rede pública de ensino de forma específica. Sem contar que todos os anos nos deparamos com o absurdo de livros novos, nunca usados sendo descartados, jogados no lixo. Algo inadmissível.

Estamos falando aqui de livros em geral, de políticas públicas para a publicação de Livros então não posso deixar de citar aqui a famosa e polêmica Lei Ruanet.  A Lei 8.313/91 que Instituiu o Programa Nacional de Apoio à Cultura. Essa lei tem por finalidade financiar diversos segmentos da cultura, através de incentivos fiscais, de dedução de impostos etc e tal…Essa lei que tanto beneficiou várias áreas da cultura, como o teatro, a música, o Livro, foi também utilizada como instrumento de barganha, de interesses políticos. Isto foi motivo de grandes e acirradas discussões no meio intelectual, na mídia, no meio político, uma discussão louvável pois projetos culturais não podem ser de gaveta de gabinetes, de interesses apenas políticos ou de uma parte da elite intelectual. Fomentar a cultura é abrir espaço para projetos que atendam a demanda da sociedade como um todo.

Depois de tanto estardalhaço no atual governo ora com o desmembramento de ministérios, ora com junção de pastas na   Educação e Cultura, e depois de tanto alvoroço com a famosa revisão da Lei, reina agora uma calmaria no mínimo estranha no meio político e intelectual. Sinal de que ambos podem estar devidamente satisfeitos, o que é preocupante.

 Ou seja, tudo como dantes no quartel de Abrantes.

4   Porque publica de forma independente?

Talvez por uma questão de comodidade, de busca de qualidade, de mais profissionalismo, de agilidade, de tudo que o trabalho editorial privado representa, ou seja, numa produção independente você consegue estabelecer uma relação contratual mais profissional, numa parceria que pode gerar mais satisfação e qualidade ao final de um trabalho editorial.

Claro que poder publicar de forma subsidiada por qualquer incentivo seria o ideal. Defendo todo tipo de incentivo, de financiamento público ou privado para a cultura. Eu porém, optei por uma editora privada, a Editora do Carmo, para publicar meu livro de poemas A Imensidão do Nada, em 2019 e fiquei muito satisfeita com a rapidez a qualidade a   eficiência e a eficácia do trabalho.

 5     Acredita que a poesia pode mudar para melhor o mundo atual?

 Acredito que a poesia, que bons livros de literatura, de filosofia, e que a arte em geral, podem contribuir de forma significativa para a formação de um homem melhor e consequentemente de um mundo melhor.

Claro que pensar num mundo melhor hoje nos leva a debruçar sobre questões estruturais, sobre problemas muito graves de ordem social, política, econômica e cultural, sobre a questão da pobreza da miséria, da violência generalizada, do desrespeito aos direitos humanos, do desrespeito ao outro, a natureza, do desrespeito à vida. Ou seja, não basta achar que a poesia em si é capaz de mudar esse mundo, que ela por si só possui essa capacidade transformadora. Não tenho essa visão simplista ou tão otimista quanto a isso, mas penso sim que a poesia em algum momento pode ser um alento ou um despertar para o homem contemporâneo que aí está, a mercê de tudo que o fragmenta que o esfacela o fragiliza e que impede uma subjetividade mais autônoma

Esse homem contemporâneo multifacetado precisa sim resgatar sua identidade buscar referências nos princípios da boa ética, da justiça, do humanismo e porque não nos princípios religiosos universais, também. Acho que por esse viés é possível sim, através de reflexões que uma boa poesia, um bom livro pode provocar. Neste sentido a poesia pode despertar sensibilidades e contribuir para um mundo melhor.

Tudo Vale a pena se a alma não é pequena, já dizia Pessoa.

Ou ainda, se a busca de um mundo melhor reside na busca pela felicidade Jorge Luiz Borges diz que sim, que “Uma forma de felicidade é a leitura.”

6   Sobre nossos autores quais destacaria como importantes?

Você fala de nossos autores, os autores brasileiros pressuponho. É que em matéria de poesia de literatura e de arte gosto de desatar os nós fronteiriços e achar que todos são nossos, neste vasto universo. Mas claro, em termos de territorialidade brasileira, em termos de cultura nacional, falaremos então dos nossos. Temos grandes e importantes nomes na nossa literatura, é uma temeridade destacar aqui sem cometer injustiças mas vamos lá com apenas alguns nomes que dentre outros, representam o que temos de melhor, nomes que me marcaram muito como Machado de Assis, Guimarães Rosa,  Manoel Bandeira, Cecilia Meireles, Clarice Linspector, Carlos Drummond,  Mário Quintana, Vinícius de Morais, Hilda Hilst e por aí vai… nossa! são muitos. São muitas gerações de bons autores nos vários gêneros da literatura. Nomes relevantes da nossa literatura local, goiana com proeminência nacional e até internacional, como Bernardo Elis, José J. Veiga, Cora Coralina, Yêda Shimaltz , José Fernandes, Gilberto Mendonça  Telles e mais uma carrada de gente boa que tá aí produzindo, escrevendo poesia,  prosa,  crônicas, contos, romances.

7   Você tem formação acadêmica? Acha isso interessante para ser um bom escritor?

Sim, possuo formação acadêmica na área de humanas, em História com especializações em História Cultural e Docência Universitária e como tal vou sempre defender a necessidade de uma formação pois acredito que a educação é o melhor caminho para qualquer melhoria em uma sociedade. Porém, para ser um bom escritor, não necessariamente, haja visto termos um dos nossos maiores escritores, Machado de Assis, reconhecido nacional e internacionalmente, que não cursou uma faculdade e foi um dos fundadores e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras. Assim como Machado temos outros autodidatas como Cruz e Souza, Olavo Bilac, escritores magníficos e que não tiveram formação acadêmica. No caso de Machado e Cruz e Souza a não formação acadêmica não se deu por falta de vontade, mas exclusivamente por problemas sociais e econômicos da época, foram escritores de certa forma marginalizados, discriminados inicialmente. Depois com tempo principalmente Machado com todo seu brilhantismo, sua educação e elegância nata, mas especialmente pela robustez e a pujança de sua obra, conseguiu se impor, se colocar adquirir respeito e até uma certa notoriedade ainda em vida. Este é um belo exemplo de inteligência, sensibilidade, habilidade e competência que está muito além dos bancos de uma universidade.

8 Qual sua relação com política?

Sou uma cidadã consciente, em pleno exercício da minha cidadania, minha postura diante da vida, em sociedade, é uma postura política, não há como negar ou fugir disso a não ser que seja possível viver sem escolhas sem exposição do pensamento, sem consumo de bens ou de ideias, o que não acredito.

 Acho estranho quando ouço pessoas dizendo que não são ou não gostam de política, no mínimo há uma grande confusão ai, pois podemos não ter (como eu não tenho) um envolvimento direto na política  ou uma  posição político partidária, uma ocupação ou participação dentro da política institucionalizada, mas políticos no sentido lato da palavra todos nós somos.

Para Aristóteles “ O homem é por natureza um animal político  que tem primeiro a família para sua socialização e garantia da manutenção da vida em seus aspectos financeiros, e educativos, mas é na polis (cidade em grego)  onde a politika  se materializava,  era  na coletividade que se  realizava plenamente pelo fiel cumprimento das leis e da justiça.” Para Aristóteles só assim pode o homem ser feliz.

Claro que naquela época essa coletividade dos cidadãos era somente a dos homens livres e iguais, ou seja estava à margem desses direitos políticos as mulheres, os escravos e plebe.

 Felizmente não estamos mais na Grécia antiga e podemos exercer nosso papel político (se quisermos) com toda plenitude, nos regimes democráticos obviamente.  Pois infelizmente e absurdamente ainda temos ditaduras políticas e religiosas espalhadas pelos quatro quantos do mundo

9 –  Pretende viver sempre no Brasil?

Olha acho que sim, já tive em outras épocas e até bem recente vontade de me mudar daqui, principalmente pela grande desesperança que em muitos momentos nos acomete. Seja por grandes decepções com a situação política com a situação econômica, violência extremada e assustadora que reina em nosso país, pela falta de melhores oportunidades de trabalho de estudos, enfim, razões não faltam, mas por outro lado, esses também não são problemas só nosso, mas da maioria dos países atualmente, claro que cada um na sua dimensão, com as suas peculiaridades e especificidades.

Outro fator é uma questão familiar, como sou muito apegada à família, só sairia do meu país com toda família, marido filhos, netos, genros,   nora,  o que torna tudo mais difícil.  Mas, como gostamos todos, de viajar de conhecer novos lugares, esta possibilidade ainda existe.

Guardarei na memória todos os lugares que já conheci fora e dentro do Brasil momentos inesquecíveis que me agregaram muita riqueza cultural e muitas alegrias.

10      Como acontece seu processo criativo? 

O meu poema nasce só

Desventurado

Enfrenta as tempestades da alma

Como um Ulisses perdido nas tormentas…

Em mar sombrio e tenebroso

Navego só.

 Meu O processo criativo raramente ocorre de forma espontânea, tranquila com leveza e fluidez. De início a poesia até parece precipitar intempestivamente mas o poema só ganha vida depois de muita insistência. Esse momento da criação é na maioria das vezes bastante angustiante e trabalhoso. O momento da tela ou da folha em branco, da busca pelas palavras, da busca do sentido, do mistério até o surgimento do poema. Confesso que gosto dessa espécie de “sofrimento” que é o ato solitário de escrever.  Solitário, porém latente, aquele momento mágico quando a subjetividade encontra a palavra, e o poeta consegue internalizar e depois exteriorizar a poesia que o habita.

Para mim o Poema nasce inicialmente da palavra e só depois toma forma, se veste ou se reveste de uma ideia, de um sentimento de uma memória real ou inventada, nventada aqui , no sentido da busca do sonho, da magia, das palavras.

Com a bravura das palavras

Eu vou rompendo treva, vou ancorando verso…

 Gosto quando J.L.Borges diz que “Cada palavra é uma obra poética” ainda não consegui tamanha grandeza,  mas venho tentando, e  no  exercício diário da escrita busco ouvir o brilhante conselho de Drummond em seu belo poema :

 “Procura da poesia”

…Penetra surdamente no reino das palavras

Lá estão os poemas que esperam ser escritos

Estão paralisados, mas não há desespero,

Há calma e frescura na superfície intacta

Ei-los sós e mudos em estado de dicionários…

Nesta busca pelo silêncio ruidoso e barulhento das palavra a poesia desabrocha em mim balançando as asas da imaginação

Por outro lado, sinto falta de uma disciplina diária para escrever, característica própria da maioria dos escritores, estou ainda como aprendiz da profissão e confesso minha insubordinação a um modelo muito certinho ou muito organizado. Não tenho um método específico para escrever. Quando estou lendo ou estudando gosto da mesa cheia de livros, muitos papeis, canetas, blocos para anotações, ouço música sempre acompanhada de um copo d’ água  ou um café bem quente e por vezes, quando meu espirito dionisíaco pede, uma boa taça de vinho.

Nesta busca pelo silêncio ruidoso e barulhento das palavras, a poesia desabrocha em mim balançando as asas da imaginação, e assim, o  poema   nasce  num silêncio absoluto, do encontro  genuíno quando a alma do poeta penetra o reino das palavras.

Caça (Dor)

Busco nas palavras

A transparência límpida dos cristais

Mergulho em seus mistérios

Vasculho seus segredos

Quando quero ver o outro lado.

Quando nada que ver

Deixo repousando nos fonemas

A ambivalência intermitente dos sentidos

Em sono proprofundo

Deixo,

Seu lado compacto, obscuro, difuso e profuso.

E assim nasce o poema

Caçador

De luz e sombra

11  Fale da emoção de ver um livro lindo como o seu publicado?

É uma alegria enorme, uma satisfação imensa ver meus versos publicados.  Embora já tenha publicado poemas em algumas antologias, mas ver meu livro solo pronto, sendo lançado, adquirido e lido por amigos, familiares e outros leitores, é uma grande alegria, uma  sensação nova e muito boa.

Aproveito para externar meus agradecimentos a todos, principalmente minha família, meu esposo meus filhos, genros, nora, e netos que sempre foram meus maiores incentivadores e meus primeiros leitores, familiares e amigos que acompanharam essa trajetória e prestigiaram esse momento tão importante da minha vida.

Agradeço imensamente a Editora do Carmo na pessoa de seu Editor esse grande jornalista escritor e poeta Evan do Carmo que ao conhecer meus poemas tornou-se meu amigo e grande incentivador do meu trabalho, viabilizando e prefaciando de forma brilhante a publicação do meu livro   A IMENSIDÃO DO NADA.

Atenciosamente

Tê Maria

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