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Um Dólar por dia – vergonha coletiva

Este é um crime do qual todos nós somos culpados perpétuos: 1,2 mil milhões de pessoas, vítimas da pobreza extrema, vivem com apenas um dólar por dia

“O Comité Nobel norueguês atribuiu o prémio ao pioneiro do microcrédito Muhammad Yunus e ao Banco Grameen, fundado no Bangladesh, que demonstraram que mesmo os mais pobres dos pobres podem trabalhar para criar o seu próprio desenvolvimento. ”

Estudiosos do mundo desenvolvido, que também são vítimas do consumismo exacerbado praticado no ocidente, acreditam que a pobreza está intimamente relacionada com a falta de educação. Estes senhores bem nutridos culpam os pobres pelo descontrole social do planeta, chegam ao extremo absurdo de dizerem que as guerras cessariam, se todos os seres humanos tivessem o que comer e o que vestir. Pensam que a paz global seria conquistada com alguns pedaços de pães e alguns copos de água potável.

No mundo todo, cada pessoa dentro de um grupo de seis sobrevive com um dólar por dia. O que se pode comprar com um dólar? No Brasil, por exemplo, talvez se compre um litro de gasolina, dependendo da variação do câmbio.  Ou quem sabe meio quilo de carne de segunda, ou um litro de leite. Se pararmos para pensar, que gastamos vinte reais em média para tomar um café expresso e uma garrafa de água mineral, em um shopping qualquer de Brasília – nos sentiríamos ricos.

Alimentamos um monstro vorás diariamente com o nosso consumismo. Há um provérbio que diz: “Não usamos dois pares de sapatos ao mesmo tempo”, todavia, gostamos de acumular, saber que em casa há outras dezenas ou centenas de outros pares de sapatos que nos dão uma falsa segurança. Isto ocorre com quase tudo que usamos: camisas, relógios, e até computadores e celulares. Guardamos muitas coisas supérfluas, muitos objetos dos quais certamente nunca faremos uso.

Os governos preferem oferecer ajuda ao invés de oferecer oportunidades, “bolsa pobreza” por aqui tem o famigerado nome de “bolsa família”.  A pobreza é fruto ácido que as políticas públicas produzem inversamente. A corrupção e a má gestão travam o crescimento do país, com isto as empresas cortam gastos e mão de obra, e o resultado está aí, estamos vivendo, sobretudo no Brasil, uma crise que logo se transformará em recessão aguda, com isto os que antes eram pobres, amparados por bolsas e outros benefícios do estado se tornam cada dia mais carentes, miseráveis sem esperança, sem futuro, logo não terão sequer um dólar por dia para alimentar seus filhos.

A pobreza extrema, segundo dados internacionais, é “viver” com menos de um dólar por dia e pobreza moderada com menos de dois dólares (1,60 euros), estimando que 1,2 mil milhões de pessoas se encontram no primeiro caso e 2,7 mil milhões no segundo.

Apenas na África, 314 milhões de pessoas vivem com menos de um dólar por dia. Não temos estudos sérios com respeito ao Brasil, porque aqui tudo é maquiado, até as contas do governo, para vender um país que estaria dando certo, que venceu a pobreza e a falta de condições mínimas de sobrevivência e cidadania. Contudo, existe um país que não conhecemos, ou que ignoramos – um Brasil que sustenta a política imoral e corrupta, que ora está sendo exposta ao mundo. Eis a nossa maior vergonha coletiva, e a causa da nossa miséria social: A política paternalista que não dá dignidade ao cidadão, ao ser humano.

Cidadania Plena – não pela metade

Cidadania: o que quer dizer esta expressão etimológica? No latim, civitas, ou seja, “cidade”. Contudo, cidadania, a priori, mesmo que insuficiente, cria uma concepção social de inclusão de um indivíduo em uma sociedade, num país ou estado. Uma vez incluso, este cidadão passa a usufruiu uma série de direitos, e a se submeter a um conjunto de deveres, obrigações que lhe conferem o status de cidadão civilizadamente correto.

Todavia, há muito mais a ser posto à prova, para se verificar se há de fato um exercício de cidadania plena, ou pelo menos aproximado, daquilo que se encaixa ao modelo proposto pelos gregos, sobretudo nos direitos e deveres relacionados ao estado do qual se faz parte.

A cidadania, como entendemos, pode até ser simplificada demais, pois para o senso comum ela se traduz como o entendimento intelectual, a posse de direitos e deveres do cidadão onde mesmo para ter seus direitos respeitados, precisa, da mesma forma, cumprir seus deveres junto à sociedade da qual está inserido.

A cidadania, por uma ótica social desejada, seria de fato imprescindível para a vida em comunidade. Tendo o homem conhecimento cabal dos seus deveres e direitos, sobretudo de suas responsabilidades para o bem comum, para o aperfeiçoamento da coletividade. Portanto, uma vez que o cidadão seja plenamente esclarecido quanto aos seus deveres, pode ser um agente construtor de uma vida mais justa, e com isto poderá deixar para trás seu comportamento egoísta, que antes dava prioridade ao individualismo.

“Está na Constituição Brasileira, todo o cidadão tem Direitos Civis, Políticos e Sociais assegurados. Os Direitos Civis são aqueles relacionados ao direito de segurança, de dispor do próprio corpo, direito de ir e vir, etc. Os Direitos Políticos estão relacionados ao direito de livre expressão do pensamento, à liberdade da prática política, à liberdade religiosa. Já os Direitos Sociais são os que dizem respeito ao atendimento das necessidades básicas do ser humano, como: direito à alimentação, à saúde, à educação, à moradia. Cidadania é, portanto, o direito à vida em seu sentido pleno.”

Contudo, ainda podemos inferir que cidadania pode ser mais regularmente definida pelos princípios democráticos do que por exigências sociais – de fato as expressões cidadão e cidadania estão ligeiramente ligadas ao exercício e a observância da democracia vigente, sob a égide do estado de direito. Todavia isto ocorre principalmente em época de eleição, é justamente neste período singular, que muito se ouve falar para que o eleitor não abra mão dos seus direitos à cidadania pelo voto, quando na verdade os princípios da democracia deviam, sobretudo facultar ao cidadão as condições legais, para construir espaços sociais e movimentos permanentes, com fim de discutir e aprovar pareceres, e indicar soluções sobre a política de bem estar público. No entanto o que se observa é uma cidadania passiva conferida ao cidadão pelo estado, quando ele apenas exige que se pratique a cidadania em benefício próprio, para que o mesmo funcione politicamente, mas que em contrapartida não permite nem incentiva a cidadania ativa, não há cidadania, por exemplo, quando o estado não oferece bens públicos de forma global, igualitária, não se pode chamar de cidadão, o indivíduo que não tem acesso à educação nem à saúde.

Um levantamento do Instituto Trata Brasil mostra que o país não conseguirá alcançar a universalização do sistema nos próximos 20 anos se o trabalho de implantar serviços de água e esgoto continuar no ritmo observado. A conclusão aponta para uma lentidão nos investimentos no saneamento por parte das três esferas de governo — nacional, estadual e municipal. O projeto de contemplar 100% das localidades brasileiras com saneamento básico nos próximos 20 anos, portanto, já está comprometida.

Não precisamos ir longe nem pesquisar muito sobre o tema, pois em qualquer lugar que formos dentro Brasil, seja no sul ou no norte, constataremos a desigualdade social e suas consequências na qualidade de vida do brasileiro. Contudo, no que tange à democracia, ao direito de votar e ser votado, somos exemplo de cidadania para o mundo, o que nos falta é uma consciência social mais questionadora, pois agindo desta forma como temos feito por décadas de liberdade democrática, não tendo em mente o que de fato significa cidadania plena, seremos apenas cidadãos de terceira classe, como costumam cognominar os brasileiros mundo afora, especialmente quando se trata de exercermos plenamente os nossos direitos, e não apenas os nossos deveres.

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