Todos os posts de Evan do Carmo

Jornalista, escritor e poeta

Hamlet e Dom Quixote

Este ensaio poderia levar o nome de Cervantes e Shakespeare, se suas obras não fossem maiores que seus autores. Shakespeare e Cervantes habitam o ponto mais alto da literatura ocidental. Qualquer ser ficcional que tenha surgido nos últimos quatrocentos anos é uma mescla dos dois espíritos, ou é cervantesco ou shakespeariano.
Todavia como encontrar acertadamente um equilíbrio entre a importância dos dois? A meu ver, podemos nos aproximar de um entendimento sobre os dois autores por fazer uma comparação da alma de Hamlet com a alma de Dom Quixote.
Este ensaio pretende tratar os dois autores como mestres de sabedoria da literatura moderna, comparáveis apenas com o livro de Eclesiastes e ao livro de Jó, a Homero, e talvez com Platão.

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Fujam dos Fenômenos

Em literatura nada se cria, tudo se copia. Que chavão horrendo. Todavia há muita verdade neles, e provavelmente por isso são chavões. É encantador observar leitores imaturos deslumbrados com a inteligência dos nossos autores contemporâneos.
Qual a origem do grandioso trabalho de Goethe? Dos grandes ensaios da “cegueira” ou “lucidez” de Saramago? É fácil encontrar as origens dos grandes fenômenos literários do nosso século, e de muitos dos séculos passados. Na essência criativa de cada autor, há de sobra plágios e paráfrases bem elaboradas.

Não precisamos ir muito longe para encontrar as pegadas do espírito criativo, dos deuses da literatura. Todo escritor antes de ter coragem de publicar precisa estudar milhares de outros autores. O fato é que a maioria deles aplica a máxima Nietzschiana: “o segredo da criatividade é não revelar a fonte”.

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O fator Deus, Saramago.

O problema do “Fator Deus” de Saramago é que ele não discute de fato o fato, se Deus existe ou não. Além do fato de cometer um equívoco amador, quando atribui uma máxima de Dostoiévski a Nietzsche. “Se Deus não existe então tudo é permitido” Eu lamento que um escritor tão renomado como ele não tenha tido cuidado ao citar como embasamento um autor que parece desconhecer. Penso que o escritor que se autodenomina ateu ou cristão quer, a meu ver, chamar a atenção do mundo para sua obra, quando o ideal seria chamar a atenção pela obra e não pela crença ou descrença.

Eu antes citei, em algum lugar, em um livro meu, o livro fraco de Saramago, Caim. Agora que ele morreu, alguns leigos andam lhe atribuindo honras de santo. Acredito que até uma ou outra ala da igreja católica o venera também, afinal, este adorável ateu se tornou o único escritor de língua portuguesa a ganhar o famigerado Prêmio Nobel de literatura. Critico-o, com forte razão, porque não me parece razoável que um indivíduo tão estudado não tenha percebido que existe na alma humana algo divino. Não importa o nome de Deus, se é Javé ou Jeová, fato é que a razão em si aponta uma inteligência superior. Mas nosso querido espírito português talvez tenha sido em grau extremo vitima da miséria e por esta razão nunca desenvolveu nenhum coeficiente de fé.

 

Sobre os seus argumentos – a desgraça humana, as guerras santas, as ideologias cegas e insanas do oriente ou a quantidade de mortos por questões políticas – nada disso serve como um argumento racional para quem conhece a fundo o outro lado da moeda, para quem sabe das origens das barbáries nos homens. A ignorância dos indianos, a crença em animais, não revela apenas um Fator Ignorância, atraso mental, conseqüência de vidas miseráveis e tribais?

Ainda fica evidente, para mim, que esta descrença dos literatos serve apenas para proteger suas inanes consciências, quanto à miséria dos seus irmãos. Muitos enricam, ganham prêmios milionários, por terem ousado pôr o dedo no olho de Deus, mas pouco ou quase nada fazem pelos miseráveis.

 

Quando um espírito avança em conhecimento, quando chega ao topo da torre de babel, ele não se contenta mais com algo que não lhe pareça lógico e por algum tempo fica perdido, por que não consegue explicar o “COGITO, ERGO SUM”! Prefiro os sábios que não precisam negar o divino para viver o profano. Cumpre lembrar ainda, que poderíamos usar o Fator Divino em vez do “Fator Deus”, pois o que deve ser entendido e aceitado, para melhoria da humanidade, é a percepção da essência superior da razão espiritual no homem.

 

 

Evan do Carmo. Brasília 19/06/2010