Autobiografia

Autobiografia

A vaidade do homem é o que lhe sustenta a vida, seu ego é o centro das suas motivações mais secretas. Não escolhi ser escritor, nem jamais poderia acreditar se ouvisse de alguém este presságio. Contudo, dizem os sábios que o mundo dá muitas voltas, isto realmente é um fato concreto, irrefutável.

Sem me ater aqui aos filósofos com suas teorias do eterno retorno, eu falo  mesmo é da sabedoria popular, daquela que nós adquirimos de gerações passadas. Vejam os senhores, eu nasci a 29/04/1964, no sertão da Paraíba, precisamente em Monteiro, filho de Heleno e Nanú, meu pai era agricultor, minha mãe costureira, não estudei formalmente na escola mais do que quatro anos regulares, perdi meu pai aos 11 anos de idade, tive que ir morar com o tio Sebastião, que era pedreiro em juazeiro da Bahia.

Uma vez com este tio, que tinha o ofício de construir casas, logo eu aprenderia a mesma profissão, todavia escola não era viável para meu projeto de vida atual. Morei com ele até 0s 19 anos, durante este tempo aprendi a tocar violão, olhando os meus amigos, mesmo sem ter um instrumento próprio consegui alcançar certa perícia com o instrumento, pois foi por aí que comecei a andar na trilha incomum e apertada da poesia.

Aos 20 anos resolvi partir para outra aventura, deixei meu tio na Bahia e vim morar em Brasília com meu irmão mais velho, Jadeilson. Em Brasília eu já me aventurava com certa timidez a cantar nas noites, nos bares da vida. Ainda não estava em meus planos factíveis alguma possibilidade real de estudo regular, de uma aspiração intelectual.

Nos bares, onde vivi por 15 anos, conheci muita gente, a primeira esposa, que me deu um filho homem, Heverson Henrique, mas vivemos juntos apenas por três anos, então sozinho, tive que assumir a criação deste filho, uma dádiva das alturas, mas logo viria minha verdadeira redenção. Encontrei Iranete, minha esposa atual, e para toda eternidade, a minha outra metade, é verdade, meus amigos, ela existe. Iranete Pontes do Carmo, além de escrever poemas, também me deu um filho homem, Evan Henrique, seu belo nome foi a melhor homenagem já recebida em vida, creio que não será superada após a morte.

Com Iranete a vida se tonou um verdadeiro paraíso, ela adotou a mim e a meu filho, o criou como uma verdadeira mãezinha, é assim que ele a chama.

Eu ainda precisava estudar, para desenvolver minha arte de escrever, foi Iranete também quem me corrigiu e corrige até hoje a minha ortografia. Aos trinta  anos voltei à escola, fiz um curso técnico de informática, com segundo grau, ainda era preciso algo mais, minha arte de escrever necessitava de mais qualidade ou qualificação.

Aos 40 anos, durante uma crise existencial, resolvi cursar jornalismo, mas não entendia porque este curso; se eu tinha como base uma cultura braçal, construir casas, coisas do tipo! Logo se revelaria em mim outro espírito, outra aptidão; conheci logo no primeiro semestre uma dezena de autores clássicos, que até então eu não sabia que existia, havia já lido muitos livros, mas foi ali que realmente me despertou a poesia e a filosofia verdadeiramente dita.

Deixei para trás a música que havia me conferido alguns privilégios e amizades, gravei CD, fiz shows com gente muito boa na música, mas eu queria algo maior – escrever um romance, produzir textos e ensaios filosóficos, era um verdadeiro delírio, para um pedreiro, contudo, foi uma revelação rápida e produtiva, logo estava eu com vários livros escritos e publicados. Ganhei concursos de literatura, fui convidado inexplicavelmente para ser jurado de um concurso nacional, com remuneração importante, e o jornalismo me conduzia para outros caminhos, muito conhecimento na área da política comecei a editar jornais, jornais que eu mesmo criei  em cidades de Brasília, mas minha verdadeira vocação é ganhar um Nobel de Literatura, outro abismal delírio para um ex pedreiro, agora jornalista e escritor de muitos livros, mas tudo estava ainda no campo da imaginação, o que eu havia concebido como arte,  literatura e poesia não poderia ser visto por pessoas comuns como algo extraordinário, apenas para mim e para minha esposa companheira fiel e verdadeira, tudo isto parecia e parece um belo e longo sonho – eu poeta e escritor.

Tudo encaminhado, em 2014 resolvi editar uma série de biografias de políticos do Brasil, com intuito de trazer ao conhecimento popular, fatos noticiados na mídia, para isto publiquei vários livros de personalidades controvérsias, como são todos os políticos brasileiros. Minha obra conta hoje, com estes livros, 42 títulos publicados, entre eles destaco o Moralista e o livro mais importante para meu aprendizado filosófico, que é Elogio à loucura de Nietzsche, que retrata bem a minha presunção nesta área do saber poético.

Esta autobiografia fora de hora, tem como objetivo chegar a este ponto culminante da minha vaidade, pois bem, acabo de assinar contrato com uma editora americana para tradução e publicação de dois livros meus, estes dois citados como sendo os mais importantes.

Quem poderia prever que este garoto peralta, fugido da Paraíba, órfão de pai, sem estudo formal, conseguisse tudo que já consegui, estou estarrecido, com este fenômeno que foi produzido pela leitura obstinada, despretensiosa, contudo, nunca perdi o foco, mesmo que através do sonho, buscar a auto superação.

 

 

 

Evan do Carmo 15/02/2014

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