Ensaio sobre a loucura

Ensaio sobre a Loucura, de Evan do Carmo, 144 páginas , editado pelo próprio autor, sem necessidade de benefícios do MEC – 2015, é um trabalho que autor prefere chamar de ensaio, mas poderia ser uma crônica urbana que se inicia com um suicídio. Um homem, anônimo salta de um prédio. Inevitável, faz-se uma rodinha de curiosos. Começam as análises dos observadores sobre o suicídio. A loucura da própria imolação do indivíduo. Ou a lucidez.

Na trama que se segue, estabelece-se um certo e incerto paralelismo entre pessoas que de certa forma estão envolvidas , mesmo que indiretamente, com o morto. É a teia de relações tênues que as cidades forçam as pessoas a construir para a sobrevivência coletiva.

Há uma estudante de medicina que é amante. Há um adúltero. Há um sequestro. Uma prostituta de luxo que se envolve com um cliente. Há o delegado. Há investigação sobre o sequestro. Há sexo, luxúria e mistério. E há, permeando todos os recantos da narrativa a figura do suicida anônimo. Como anônimos são os habitantes da grande cidade, que como toda metrópole, oferece a tênue máscara do anonimato às pessoas para que elas sigam a vida dentro dos padrões, digamos, normais, embora cada um tenha seu mundo secreto onde habita certo grau de loucura ou de psicose.

Dentro da premissa de que todos têm um grau de loucura mascarada e não se dão conta disso, Evan leva o leitor a um final que ele sugere inacabado e, sendo assim, outros finais poderão ser acrescentados numa dinâmica contínua e delirante. Que a vida é este turbilhão pautado por estereótipos e, delirante, sem nenhum estereótipo.

 
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